Com o vidro do espelho já embaçado cessa-se o barulho da água agonizante sob o chuveiro,agora o único som a quebrar o glorioso silêncio é o compasso ritmado de seu coração
a cada passo mais forte,a cada passo mais nervoso,ela se enrola na toalha de algodão egípcio.Esfregando levemente o vapor aglomerado no espelho com seu punho,ela vê o reflexo
de seu rosto pálido como a mais pura areia de uma praia virgem.
Já em seu quarto ela entra em seu delicado vestido rubro de seda,rubro cor de sangue,'sangue' ela pensa,desse pensamento resulta o incontrolável impulso de abrir a pequena
comoda ao lado de sua cama,e ali está ele,ela o segura em suas mãos,a lamina brilhante dauquele punhal tilintando em suas mãos,e ela suspira.
Ah quem dera que tudo fosse fácil,quem dera as paixões pudessem sempre terminar com um 'felizes para sempre' como nos contos de fada,quem dera ela ter a escolha de um outro
fim para seu conto.
Seu pensamento é bruscamente interrompido pelo estridente som da campainha,ela se levanta de um pulo e põe aquela lamina por baixo da liga de renda circundândo a alva coxa,
uma ultima olhada no espelho,os cabelos caindo sobre o ombro,o corpo envolto pela delicada cascata do vestido fino,e o perfume,o doce aroma do perfume frances saltando de sua
pele.E mais uma vez a interrupção da campainha.
Então ela liga o som,a melodia calma,contradizendo a pulsação frenética dentro de seu peito,'porque eu?''porque ele tinha que fazer isso comigo?porque agora minha leviana
mente não se sentirá completa sem o áspero gosto da vingança,quisera antes que um buraco se abrisse diante de mim,me jogaria sem hesitação,'e então ela abre a porta e ele
a espera radiante,e após ofuscada pelo brilho daqueles transparentes olhos castanhos e aquecida pelo calor daquele sorriso,imediatamente lhe ocorre outro pensamento 'como pode
esse paradoxo a afetar minhas noites de sono agora mal dormidas,como pode caber tanto ódio e tanto amor num mesmo coração,se houvesse algo para descrever o que sinto no momento,
acho que o mais próximo seria um terremoto,isso,uma grande rachadura incurável,tudo dentro de mim' e antes que sua boca se abrisse para dizer qualquer coisa ele a beija,
um beijo rápido e saudoso,quando ela se recupera não sabe se realmente consegue falar,mas o que se dá a entender entre os gaguejos e balbuceios que saem de seus lábios -vinho?-
então na luxuosa sala novamente ecoava o silêncio,ela não fazia mais notar as estrondosas batidas de seu coração,sentia-se morta,desejar o calor de uma criatura tanto quanto
deseja sentir a inflexibilidade de seu corpo frio e sem vida,era agora o mais caudaloso dos problemas,a música acelerou.
Com um movimento rápido e elegante ele se põe de pé,põe a fina taça de cristal vazia sob a estante e estende a mão direita -me concederia a honra dessa dança-e então ela
se levanta,sentindo a próximidade de seu corpo ao corpo do seu objeto de afeição,não,não é afeição o que ela sentia,era mais que isso,era mais que paixão,mais que amor,
era uma obceção,ele era seu vicio,sua droga,e a sua abstinencia a estava levando a loucura,nem o tango rápido e melodioso pode acompanhar o ritmo com que seus pensamentos corriam
e aquela dança ficava cada vez mais carnal,e aumentava seu desejo,desejo pelo corpo do homem amado,e desejo pela sua vingança,passou a mão pela coxa e sentiu o volume do objeto,
tudo que ela havia planejado estava ali a um passo de ser concretizado,ao puxar a fenda do vestido para dar espaço a sua mão,ela é interrompida,e ele a beija de novo,
não um beijo curto e saudoso como o primeiro,um beijo longo,quente,ritmado,não como seu coração ou como o tango ao fundo,mas num ritmo diferente,que estava sintonizado apenas
naqueles dois,naquele momento,um beijo sedento...E então quando finalmente seus lábios e corpos se afastaram,ela não parou pra pensar,sacou o punhal e com um pulo correu pra
cima daquele homem,cairam então no chão,ela por cima dele com o braço erguido,forçando a decida até o peito do objeto de sua obceção,enquanto o braço do mesmo lutava para manter aquela
lamina afastada,e então como num fração de segundo ouve-se o tilintar do metal no chão contra o piso,com um movimento rápido haviam trocado de posição,ele agora segurava seus
braços e mantinha seu rosto próximo ao dela...e com uma expressão que não se explica bem,uma expressão de decepção e ternura,ouve-se o murmúrio de seus lábios carmim
-odeio você!-
e logo em seguida a resposta,tão baixa que era quase inaudivel,no ouvido dela,só para ela,para que ele nunca esquecesse - eu te amo.-
Então os dois amaram-se,amaram-se até que o dia nascesse e os corpos exaustos se rendessem sob a fresta de sol que se instalava estratégicamente por entre as fendas da cortina
azul marinha,era o mesmo sol que se prontificava a brilhar com a máxima intensidade que podia,como se colocado propositalmente naquele borrão azul,azul de um dia que amanheceu
em paz.
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Ninguém vai ler isso :B
ResponderExcluirComo diria o Stevie Wonder: Nem li.
ResponderExcluirISUHASD,ficou massinha ;*
eu li :D ficou mt bom Mari, parabéns *-* mas ela deveria ter matado ele, se ela tivesse matado, eu comprava :D
ResponderExcluirkkkkkkkkkk..esse léo gosta da bagaceira :x
ResponderExcluirque massa *-* ameeeei, descrição dos personagens ficou ótima, parecia que eu estava lendo um livro do sidney sheldon aoieoaieoaiea. PARABÉNS! :D
ResponderExcluirhaushaush.. ooun môo brigada! *-* isso é importante preu *-* (L' /mariP.
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