quinta-feira, 20 de maio de 2010

2º motivo da rosa - Cecília Meireles

Por mais que te celebre,não me escutas
embora em forma e nácar te assemelhes
ó concha soante,á musical orelha
que grava o mar nas intimas volutas.
Desponha-te em cristal,defronte a espelhos,
sem ecos de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
oferece as vespas e as abelhas.
E a quem te adora ó surda e silenciosa,
e cega,e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!
Sem terra nem estrelas brilhas,presa
a meu sonho,insensível a beleza
que és e não sabes,porque não me escutas.

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